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Valete: “O que eu vou dizer é que quero voltar” [Entrevista]

Valete: “O que eu vou dizer é que quero voltar” [Entrevista]

No último dia de Receção ao Caloiro´19, Valete atuou para um Multiusos de Guimarães cheio e contagiou o público presente com muita animação. O rapper de origem santomense fechou o festival com um concerto para ficar na memória. Em conversa com a Associação Académica da Universidade do Minho, o artista falou um pouco sobre a importância dos eventos académicos na sua carreira e mostrou ainda a vontade em voltar.

Quais eram as expectativas para o concerto e achas que o público correspondeu?

Valete (V): Ya, bué. Curti mesmo bué. Já não vinha a Guimarães há muito tempo e foi diferente, senti mesmo diferença. O pessoal estava na sintonia certa, apesar de ser tarde, então, o concerto esteve quase perto da perfeição. Correu mesmo bem.

Se tivesses que destacar uma música do reportório que trouxeste, qual seria?

V: É difícil, mas foi bué fixe ver o pessoal a curtir as antigas e as novas também. E às vezes é pessoal novo que tem menos de 20 anos e 20 e picos, mas, mesmo assim, eles conhecem as mais antigas. Isso para mim é muito gratificante. Mas, se calhar, o “Rap consciente”, que foi a que eu cantei duas vezes.

Qual é a importância que atribuis a eventos académicos na tua vida?

V: É das coisas mais importantes atualmente. Eu, enquanto estudante não participei muito, mas, como artista já fiz várias [festas académicas] e creio que é das coisas mais importantes, atualmente, para o circuito musical, em Portugal. Porque, essencialmente, o circuito académico, incluindo a Receção ao Caloiro de Guimarães, valoriza muito a música nacional. Eu sou do tempo em que muitos dos nomes que iam a este tipo de festas eram estrangeiros, agora são quase todos nacionais. Acho que isso está a fazer uma grande diferença para a música portuguesa.

Que impacto achas que o rap tem nos mais jovens, que faz com que sejam a classe etária que mais adere a este estilo musical?

V: Tem muito impacto. Atualmente, os jovens, praticamente, só ouvem hip hop. Os maiores ídolos portugueses são rappers. Eu sou de um tempo em que não era assim, então, é incrível assistir a esta evolução e creio que vai continuar desta forma.

Se tivesses que definir o público do Minho em poucas palavras, quais seriam?

V: O que eu vou dizer é que quero voltar, porque adorei. Foi dos concertos mais calorosos, foi dos públicos mais calorosos e, normalmente, quando costuma estar tanta gente, não é fácil teres este tipo de euforia. Consegues este tipo de euforia, normalmente, em salas mais pequenas, mas, mesmo com esta quantidade de público, conseguimos reproduzir uma sala mais pequena, como é o Hard Club no Porto, por exemplo. O feeling foi mesmo esse. Incrível.

Quais as principais diferenças entre o público académico e o público normal?

V: Varia um bocado. Hoje eu posso destacar Faro e Guimarães, porque acho que é um público à parte, pelo menos do que eu senti aqui, hoje, em Guimarães. Faro também é muito forte. Se fizeres, por exemplo, Coimbra, Lisboa, a esta hora, o pessoal já está muito bêbado, então, os concerto não têm a eficácia que deveriam ter. Mas aqui não, o pessoal estava focado, a querer ver o concerto. Estiveram no ponto do início ao fim e foi um espetáculo.

Quais são os conselhos que deixas aos novos estudantes da academia minhota?

V: Uma coisa que eu costumo dizer muito e eu creio que é a coisa mais importante e até fiz um vídeo no Youtube a falar disso que é: mais importante que aquelas frases clichê, que são segue os teus sonhos e etc., eu digo aos jovens para se tornarem especialistas. Percebe qual é a coisa que tu gostas, percebe qual é a tua paixão, dedica-te a isso a fundo, torna-te um mestre dessa área e dessa arte. Se tu fores um mestre, tu vais chegar onde tu queres, porque as pessoas estão sempre à procura de grandes executantes. Se fores uma bailarina de alto nível, tu estás tranquila. Podes, de repente, não ter mercado de trabalho em Portugal, mas vais ter em Espanha e, se não tiveres em Espanha, tens em França. Então, essencialmente, é isso: perceberem qual é a paixão, perceberem qual é a área, trabalharem muito e muita dedicação até se tornarem mestres.